blogueiras blog aniversario primeiro ano

NOSSO BLOG FAZ 1 ANO!

blogueiras blog primeiro ano

É um momento de muita alegria para nós!  São 365 dias de expectativas, preocupações e alegrias! Porque não passa 1 dia sem que nos envolvamos com o Blog. Preparar, corrigir e pensar no que seria melhor para os leitores em cada matéria e acompanhar as curtidas, os cliques na matéria, os compartilhamentos e os deliciosos comentários!!!

blog blogueiras primeiro ano

UMA ROTINA MARAVILHOSA COMPARTILHADA COM NOSSOS 35.OOO SEGUIDORES…

blog blogueiras primeiro ano aniversario

É tão importante para nós que nos juntamos (são 8.000km. de distância!!!) para planejar o Blog para seu próximo ano (o 2º ano!!!).

blog blogueiras primeiro ano aniversario

Fotografamos, preparamos e curtimos cada matéria que fizemos para comemorar este momento tão incrível: estar com vocês comemorando todos estes 35.000 queridos seguidores, as 53 semanas ininterruptas e as 110 postagens! É uma enorme vitória!

São mais de 1.000.000 de curtidas, acessos e muitos comentários maravilhosos e divertidos!

blog blogueiras primeiro ano aniversario

Lá no início de tudo, quando escolhemos nossa 1ª matéria, nos veio logo à lembrança esta crônica, pois resume nosso pensamento sobre enfrentar novas etapas na vida. Drummond viveu alegrias e tristezas e soube manter a sanidade e o bom humor, usando como arma a escrita – de forma brilhante! Ele nos ensina também que é importante continuar Indo em Frente.

Usar as críticas e os reveses da vida para melhorar cada vez mais a si mesmo e a seu trabalho é uma arte! Por isso acreditamos que viver os 40, 50, 60… é aprender a se respeitar, se motivar e se superar, aceitando críticas e mostrando a você mesmo e aos outros que podemos “fechar capítulos” em nossas vidas, mas também sabemos escrever novos!

blog blogueiras primeiro ano aniversario

Comemore conosco esse momento maravilhoso curtindo uma reflexão incrível sobre a vida e seus caminhos tortuosos – e a jornada divertida que é viver – com a narrativa e a criatividade deste nosso magnífico autor!

cronica Carlos Drummond de Andrade

Ciao

Há 64 anos, um adolescente fascinado por papel impresso notou que, no andar térreo do prédio onde morava, um placar exibia a cada manhã a primeira página de um jornal modestíssimo, porém jornal. Não teve dúvida. Entrou e ofereceu os seus serviços ao diretor, que era, sozinho, todo o pessoal da redação. O homem olhou-o, cético, e perguntou:

– Sobre o que pretende escrever?

– Sobre tudo. Cinema, literatura, vida urbana, moral, coisas deste mundo e de qualquer outro possível.

O diretor, ao perceber que alguém, mesmo inepto, se dispunha a fazer o jornal para ele, praticamente de graça, topou. Nasceu aí, na velha Belo Horizonte dos anos 20, um cronista que ainda hoje, com a graça de Deus e com ou sem assunto, comete as suas croniquices.

Comete é tempo errado de verbo. Melhor dizer: cometia. Pois chegou o momento deste contumaz rabiscador de letras pendurar as chuteiras (que na prática jamais calçou) e dizer aos leitores um ciao-adeus sem melancolia, mas oportuno.

Creio que ele pode gabar-se de possuir um título não disputado por ninguém: o de mais velho cronista brasileiro. Assistiu, sentado e escrevendo, ao desfile de 11 presidentes da República, mais ou menos eleitos (sendo um bisado), sem contar as altas patentes militares que se atribuíram esse título. Viu de longe, mas de coração arfante, a Segunda Guerra Mundial, acompanhou a industrialização do Brasil, os movimentos populares frustrados mas renascidos, os ismos de vanguarda que ambicionavam reformular para sempre o conceito universal de poesia; anotou as catástrofes, a Lua visitada, as mulheres lutando a braço para serem entendidas pelos homens; as pequenas alegrias do cotidiano, abertas a qualquer um, que são certamente as melhores.

Viu tudo isso, ora sorrindo ora zangado, pois a zanga tem seu lugar mesmo nos temperamentos mais aguados. Procurou extrair de cada coisa não uma lição, mas um traço que comovesse ou distraísse o leitor, fazendo-o sorrir, se não do acontecimento, pelo menos do próprio cronista, que às vezes se torna cronista do seu umbigo, ironizando-se a si mesmo antes que outros o façam.

Crônica tem essa vantagem: não obriga ao paletó-e-gravata do editorialista, forçado a definir uma posição correta diante dos grandes problemas; não exige de quem a faz o nervosismo saltitante do repórter, responsável pela apuração do fato na hora mesma em que ele acontece; dispensa a especialização suada em economia, finanças, política nacional e internacional, esporte, religião e o mais que imaginar se possa. Sei bem que existem o cronista político, o esportivo, o religioso, o econômico etc., mas a crônica de que estou falando é aquela que não precisa entender de nada ao falar de tudo. Não se exige do cronista geral a informação ou comentários precisos que cobramos dos outros. O que lhe pedimos é uma espécie de loucura mansa, que desenvolva determinado ponto de vista não ortodoxo e não trivial e desperte em nós a inclinação para o jogo da fantasia, o absurdo e a vadiação de espírito. Claro que ele deve ser um cara confiável, ainda na divagação. Não se compreende, ou não compreendo, cronista faccioso, que sirva a interesse pessoal ou de grupo, porque a crônica é território livre da imaginação, empenhada em circular entre os acontecimentos do dia, sem procurar influir neles. Fazer mais do que isso seria pretensão descabida de sua parte. Ele sabe que seu prazo de atuação é limitado: minutos no café da manhã ou à espera do coletivo.

Com esse espírito, a tarefa do croniqueiro estreado no tempo de Epitácio Pessoa (algum de vocês já teria nascido nos anos a.C. de 1920? duvido) não foi penosa e valeu-lhe algumas doçuras. Uma delas ter aliviado a amargura de mãe que perdera a filha jovem. Em compensação alguns anônimos e inominados o desancaram, como a lhe dizerem: “É para você não ficar metido a besta, julgando que seus comentários passarão à História”. Ele sabe que não passarão. E daí? Melhor aceitar as louvações e esquecer as descalçadeiras.

Foi o que esse outrora-rapaz fez ou tentou fazer em mais de seis décadas. Em certo período, consagrou mais tempo a tarefas burocráticas do que ao jornalismo, porém jamais deixou de ser homem de jornal, leitor implacável de jornais, interessado em seguir não apenas o desdobrar das notícias como as diferentes maneiras de apresentá-las ao público. Uma página bem diagramada causava-lhe prazer estético; a charge, a foto, a reportagem, a legenda bem feitas, o estilo particular de cada diário ou revista eram para ele (e são) motivos de alegria profissional. A duas grandes casas do jornalismo brasileiro ele se orgulha de ter pertencido ― o extinto Correio da Manhã, de valente memória, e o Jornal do Brasil, por seu conceito humanístico da função da Imprensa no mundo. Quinze anos de atividade no primeiro e mais 15, atuais, no segundo, alimentarão as melhores lembranças do velho jornalista.

E é por admitir esta noção de velho, consciente e alegremente, que ele hoje se despede da crônica, sem se despedir do gosto de manejar a palavra escrita, sob outras modalidades, pois escrever é sua doença vital, já agora sem periodicidade e com suave preguiça. Ceda espaço aos mais novos e vá cultivar o seu jardim, pelo menos imaginário.

Aos leitores, gratidão, essa palavra-tudo.

Carlos Drummond de Andrade
(Jornal do Brasil, 29/09/1984)

“Carlos Drummond de Andrade recebeu o grandioso título de maior poeta brasileiro do século XX. (…) Embora seja mais conhecido como poeta, Drummond também foi exímio contista e cronista, e foi esse último gênero, a crônica, que ajudou a consagrá-lo como nome indispensável para a história da literatura brasileira”.

Fonte: http://portugues.uol.com.br/literatura/a-ultima-cronica-carlos-drummond-andrade.html

blog blogueiras aniversario primeiro ano

Deixe um comentário

Preenchimento obrigatório *